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Em julgamento que durou quase nove horas na madrugada de ontem, o São Caetano foi punido pela 1ª Comissão Disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com a perda de 24 pontos no Campeonato Brasileiro por ter escalado irregularmente o zagueiro Serginho, morto no dia 27 de outubro no jogo contra o São Paulo devido a um problema cardíaco. Além disso, o presidente do clube, Nairo Ferreira recebeu a suspensão de 720 dias (2 anos), e o médico Paulo Forte (foto), de 1.440 (4 anos). O Azulão ainda pode recorrer de todas as punições em novo julgamento a ser realizado na próxima segunda-feira. Desta vez, quem determinará o desfecho do caso será o Tribunal Pleno do STJD, presidido por Luiz Sveiter. Caso seja confirmada a punição, o São Caetano cairá da 4ª para a 14ª posição no Brasileiro, e jogará suas duas últimas partidas - contra Santos e Atlético Mineiro - apenas pra cumprir tabela. O fato mais estranho do julgamento de ontem foi a contradição nos depoimentos de Nairo e Paulo, presidente e médico, respectivamente, do São Caetano. O primeiro disse que por ser leigo no assunto, desconhecia os problemas médicos do jogador. Já Paulo Forte afirmou que o presidente estava ciente da situação do atleta, mas disse que não teve acesso ao prontuário enviado pelo Incor (Instituto do Coração) no começo do ano, que acusava arritmia cardíaca e pedia o término da carreira do jogador Serginho. Em meio a essa lama toda, dificilmente o Azulão reverterá a punição segunda-feira que vem.
Sem dúvida, nenhuma, foi o técnico Emerson Leão, do São Paulo. Na queda-de-braço com o lateral esquerdo Júnior (foto), que não teria gostado de ser substituído no jogo da 43ª rodada, contra o Internacional, e não foi sequer relacionado para a última partida contra o Vitória, Leão deu de presente ao jogador uma licença do time até o ano que vem. Júnior não joga mais no tricolor em 2004, e no seu lugar contra Flamengo e Goiás, Fábio Santos ganha a camisa titular. Não foi descartada, entretanto, a possibilidade de Júnior esquentar o banco domingo que vem, quando o Sampa recebe o Flamengo no Morumbi, às 16h. Pelo que se falou de dentro do elenco, o lateral teria ficado bastante irritado com sua barragem no time titular e com o interesse do técnico Leão em Léo, do Santos, que chegou a ser negociado com o São Paulo no começo do ano. A boa notícia do dia no Morumbi, apesar de injusta para muitos, foi a perda de 24 pontos por parte do Azulão no julgamento desta madrugada, em relação ao caso Serginho. Com o Azulão despencando para a 15ª posição na tabela, o São Paulo já é, no mínimo, terceiro colocado do campeonato, e não precisará disputar a repescagem para ir à Libertadores do ano que vem. Com ou sem Júnior, o Tricolor voltará a encher seu estádio nos duelos do torneio intercontinental que neste ano garantiu, de lucro, US$ 1,5 milhão para o clube do Morumbi, entre bilheterias, direitos de transmissão, placas de publicidade e outros prêmios.
Hoje o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi (foto), mostrou o quanto é generoso com o elenco do seu clube, e deu "férias" (para alguns, permanentes) antecipadas a oito jogadores: os goleiros Marcos e Sérgio, o lateral Baiano, os zagueiros Glauber e Leonardo, os meio-campistas Correa e Adãozinho, além do atacante Adriano Chuva. Pra completar, mandou embora o preparador de goleiros Carlos Pracidelli, como havia sido cogitado mês passado quando o preparador físico Walmir Cruz fora dispensado juntamente com o assessor de imprensa do Verdão. Se por um lado, Marcos, Leonardo e Adriano Chuva não vinham nem treinando por estarem em recuperação de suas respectivas contusões, surpreende o fato de Sérgio, Baiano e Correa terem entrado nessa lista polêmica da diretoria alviverde. Ambos eram titulares do time de Estevam Soares no Brasileiro. Apenas Glauber e Adãozinho, que não estavam realmente sendo aproveitados mesmo em totais condições de jogo, passaram desapercebidos na lista. Os jogadores ficarão 30 dias longe do Parque Antarctica e do CCT. Quem permanecer no Palmeiras em 2005 só deve voltar a treinar no dia 7 de janeiro. Dois deles, no entanto, poderão não retornar ao elenco ano que vem. Os contratos de Baiano e Adãozinho terminam neste mês e dificilmente serão renovados para a temporada seguinte. Para a lateral-direita, inclusive, a diretoria já confirmou a contratação de Bruno, do Marília. O mais frustrante dessa história é pensar que o pivô de todo o problema entre jogadores e o Sr. Mustafá foi a presença de cerca de 11 atletas do Verdão na reunião do Sindicato da categoria, reivindicando melhoras nas condições de trabalho, entre elas, um período maior de férias. Mustafá não teria gostado nem um pouquinho, daí a dispensa do goleiro Sérgio, presente nessa reunião. Para o jogo de sábado, contra o Criciúma, o terceiro goleiro, Diego, deverá ser o substituto. Ah, e Estevam Soares já renovou seu contrato pra 2005. Pelo ao menos ele estará garantido no elenco que retornar das termas ferventes do presidente palmeirense.
Dupla preocupação no Azulão Ontem o São Caetano ameaçou mudar toda a história do Campeonato Brasileiro, quando virou o primeiro tempo vencendo o Atlético Paranaense por 1 a 0, em plena Arena da Baixada, e jogando melhor que o então líder do campeonato. Mas na etapa final, o Furacão virou a partida em 2 minutos e acabou goleando os paulistas por 5 a 2, chegando aos 85 pontos na tabela. O Azulão, por sua vez, ficou com 77 e um pouco mais distante do bloco da frente, que ainda tem Santos, com 83, e São Paulo, com 81. O sonho do título terminou ontem mesmo. O da Libertadores pode acabar hoje dependendo do julgamento do caso Serginho, marcado para esta noite no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), no Rio. Se fôr punido com a perda de 24 pontos, como está sendo anunciado pela imprensa, a equipe do ABC despencaria da 4ª para a 15ª posição, ficando com 53 pontos. Uma dupla dor-de-cabeça e um castigo para a campanha do São Caetano nesse Brasileiro. E um encerramento ainda mais doloroso de um campeonato que tornou-se trágico para o Azulão desde o dia 27 de outubro, quando Serginho caiu morto no gramado do Morumbi.
Ontem o Santos massacrou o já rebaixado Grêmio, em São José do Rio Preto, goleando os gaúchos por 5 a 1 e permanece dois pontos atrás do líder Atlético Paranaense, com 83. O Furacão venceu e foi a 85. No jogo de paciência em que estas últimas rodadas se transformaram, não há muitos mais a ser feito. Cabe ao time da Vila não deixar o líder desgarrar rumo ao caneco. E principalmente, estar preparado caso o Furacão tropece contra Vasco ou Botafogo nas duas últimas partidas do campeonato. Ou seja, vencer São Caetano (fora) e Vasco (casa) é a obrigação santista, juntamente com muita reza e sorte. Os problemas do Santos, além de estar atrás do Atlético, é óbvio, são as ausências de Elano e Robinho, que fazem falta ao esquema de jogo de Luxemburgo. Além disso, os próximos adversários do Peixe serão duas pedreiras. O Azulão, independente de perder 24 pontos hoje à noite devido ao caso Serginho, dificilmente baixará a guarda, domingo que vem, no Anacleto Campanella. Será o último jogo do ano dentro de seu estádio. E fechando a competição, o Peixe poderá encontrar pela frente um Vasco desesperado para não cair caso os cariocas percam (o que é muito provável) para o Furacão domingo que vem, na Arena da Baixada. Se o time tivesse vencido o Paysandu...
Com as vitórias de Santos e Atlético Paranaense ontem, a única alternativa que restava ao São Paulo, em Salvador, era bater o Vitória para continuar sonhando com o título. Se os 4 a 1 não deixaram a equipe paulista mais perto do líder, o Furacão, pelo ao menos puseram os comandados de Leão praticamente na Taça Libertadores da América do ano que vem. Na pior das hipóteses, o time do Morumbi termina o campeonato em 4º e vai disputar a repescagem contra o Tacuary (PAR), dias 2 e 9 de fevereiro. Com 81 pontos - 4 atrás do Atlético - o São Paulo ainda terá Flamengo, em casa, na próxima rodada, e Goiás, fora, fechando sua participação no Brasileiro. Domingo que vem o jogo contra os cariocas começa às 16h. Optando por Fábio Santos na lateral-esquerda após a polêmica com o pentacampeão Júnior, que sequer foi relacionado pro jogo e nem viajou à sua terra natal, o técnico Leão viu uma equipe equilibrada em todos os setores. Viu, também, Diego Tardelli ganhar confiança ao balançar as redes em duas oportunidades e Grafite confirmar sua boa fase ao marcar seu 16º gol no torneio. Quem fechou a conta foi o próprio Fábio Santos, que não deixou Obina comemorar o gol de desconto dos baianos quando a partida apontava 3 a 0 no placar.
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