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Olha o bi do Peixe chegando! Rodada mais perfeita do que a 45ª, disputada hoje à tarde, dificilmente o Santos esperava. A equipe começou o jogo contra o São Caetano, no Anacleto Campanella, em segundo na tabela e consciente de que o líder Atlético Paranaense enfrentaria um adversário bem mais fácil, o Vasco da Gama. Mas como a lógica nunca foi um ingrediente muito tradicional do futebol, quando o árbitro Rodrigo Cintra encerrou a partida em São Caetano do Sul o cenário já era outro. O Furacão perdera para o Vasco de 1 a 0, e o Peixe goleara o Azulão por 3 gols. Ou seja, na última rodada, domingo que vem, o Santos só depende de si pra ser bi-campeão. Enquanto o Atlético receberá o Botafogo, que luta desesperadamente pra não cair, o time da Vila Belmiro jogará em São José do Rio Preto contra um Vasco já aliviado e longe da série B. Não fica difícil imaginar no que isso tudo vai dar. Só por um milagre Luxemburgo não levantará mais um caneco de campeão nacional e o Peixe terminará esse emocionante campeonato com a faixa no peito. Os jogos da 46ª rodada começam todos às 16h. Pra completar o dia inesquecível, o Santos contou hoje com o retorno de Elano (foto), que marcou o primeiro gol da vitória alvinegra. Ricardinho, de pênalti, e Basílio fecharam a conta. A torcida só não comemorou os gols de seu time com mais entusiasmo do que no instante em que o áudio do estádio anunciou o gol de Henrique, em São Januário, decretando a derrota do Furacão. Sinceramente, o título santista poderia ter um gran finale domingo que vem. Por que não o seqüestro da mãe de Robinho ser resolvido nessa semana, e ele entrar em campo ovacionado? Um desfecho perfeito para um título inesquecível, não é mesmo?
Em seu último jogo dentro do Moisés Lucarelli nesse Brasileirão, a Ponte Preta decepcionou seus torcedores e com a derrota de 2 a 1 para o Internacional está fora da Copa Sul-Americana de 2005. O time do treinador Nenê Santana (foto) precisava vencer os gaúchos - por sinal, adversário diretos na briga por uma vaga ao torneio intercontinental - para ir à 46ª rodada em ritmo de decisão contra o Vitória, no Barradão. Agora, provavelmente nem o time titular viajará até Salvador. Para uma equipe que chegou a liderar o campeonato nas primeiras rodadas, a Macaca termina sua participação com uma única comemoração à vista: a queda do rival Guarani para a série B em 2005. De resto, o segundo pior ataque da competição com 41 gols marcados - o mesmo do Bugre - e a constante perda de pontos dentro de casa são fatores a serem observados cuidadosamente no planejamento do time para o ano que vem. E reforços precisam chegar à Macaca urgentemente!
Pouca gente acreditava que o Timão pudesse chegar à última rodada do Campeonato Brasileiro na situação em que se encontra agora, após vencer o Botafogo por 2 a 1 no Caio Martins: 71 pontos, 5º colocado e atrás somente de Santos, Atlético-PR, São Paulo e Palmeiras, quatro equipes que disputaram o caneco lado a lado praticamente o campeonato todo. O Corinthians, não. Dele, esperava-se o rebaixamento ou uma crise sem tamanho com a chegada da polêmica parceria com a MSI. Talvez a única pessoa que acreditasse em tamanha recuperação - e muito mais por obrigação da sua profissão do que pela fé - fosse o técnico Tite. Pegando uma equipe desconfigurada e cheia de brigas internas ele utilizou todo o seu "gauchês" pra levantar a moral da rapaziada e colocar ordem na casa. Termina a competição próximo do rival Palmeiras e com vaga assegurada na Copa Sul-Americana. Mas o maior feito do comandante corintiano foi dar ao tradicionalíssimo Corinthians uma cara de Corinthians: uma equipe com raça, capaz de superar um desesperado Botafogo em pleno Rio de Janeiro e cheio de motivações para 2005. Será que Luxemburgo tira o posto de quem fez tudo isso pela nação alvinegra? Seria, pra dizer o mínimo, uma tremenda injustiça.
O remoto sonho são-paulino de chegar ao título do Campeonato Brasileiro acabou por falhas do próprio São Paulo. O Atlético Paranaense perdeu seu jogo, o Santos venceu, e caso o Tricolor conquistasse três pontos, hoje, no Morumbi, deixaria a última rodada do campeonato ainda mais eletrizante. Mas o empate de 1 a 1 com o Flamengo encerrou as pretensões de Leão - que foi expulso, hoje - de levantar o caneco, e do Mengo, de safar-se do rebaixamento. Os cariocas continuam em situação delicada na tabela. Assim como no primeiro turno, quando o Fla venceu o Sampa por 1 a 0 com um gol de Dimba, a partida desta tarde foi quase igual. O atacante rubro-negro guardou o seu, de falta, mas não contava com o chute de Grafite (abraçando Tardelli e Lugano na foto) que igualou tudo no Morumbi. Foi o 17º gol do matador são-paulino. Os 82 pontos conquistados pelo Tricolor, no entanto, deixaram o time quatro pontos atrás do líder, Santos. Por isso o jogo derradeiro do Sampa, contra o Goiás, tem tudo pra ser um treino coletivo para os reservas. No Serra Dourada, contra o Goiás, vai ser muito mais emocionante ficar de orelha grudada no rádio pra ver quem levanta o troféu do Brasileirão: e dessa festa o Tricolor já está fora.
O Palmeiras entrou em campo, ontem, no Parque Antarctica, vindo de três resultados péssimos, dois deles nos jardins suspensos do Palestra: derrotas para Guarani e Flamengo e empate com o Goiás, no Serra Dourada. Veio também de uma semana turbulenta, com "férias" concedidas pelo presidente Mustafá à nove atletas do elenco - a maioria por ter participado de uma reunião do Sindicato dos Atletas na qual Musta não teria ficado nada satisfeito com a posição de seus funcionários. Ontem durante boa parte do jogo contra o Criciúma, ouvia-se nitidamente das arquibancadas gritos de "fora Mustafá", "Lúcio vagabundo", "Estevam burro", etc. Principalmente porque até os 47 do segundo tempo, o time empatava em 2 a 2 e fecharia sua última aparesentação em casa neste campeonato de forma tenebrosa. Mas com um chute preciso nos acréscimos, Ricardinho (foto) garantiu a vitória, os três pontos e praticamente assegurou a vaga do Palmeiras para disputar a repescagem da Libertadores, em fevereiro. Mesmo que o Azulão recupere os 24 pontos que perdeu no STJD, amanhã, no julgamento do recurso do caso Serginho, o Verdão permanecerá um ponto à frente do time do ABC, com 78. Mais um estímulo para os "reservas" do alviverde, aqueles que não foram licenciados pelo presidente Mustafá, entrem de cabeça erguida contra o Fluminense, domingo que vem, no Maracanã.
Não teve mesmo jeito de Jair Picerni salvar o Bugre do rebaixamento. Ontem à tarde a equipe paulista perdeu por 4 a 2 para o Paysandu, em Belém, e vai fazer compania ao Grêmio na segunda divisão do Brasileiro no ano que vem. Com 46 pontos, na penúltima colocação, o máximo de pontuação que o time poderá conseguir (49 pontos) só servirá pra saber em qual posição dos quatro últimos colocados o Guarani vai ficar quando o campeonato fôr encerrado no próximo domingo. Aliás, a última partida do Bugre terá um tom melancólico. Contra o Grêmio, ambas as equipes ouvirão o apito final abraçadas rumo à segundona. Os gaúchos já haviam recebido o trágico veredicto na rodada passada. O jogo com cara de velório começa às 16h, e deverá ser marcado, também, por protestos dos torcedores campineiros, que exigem a saída do presidente José Luiz Lourencetti. Existe até a possibilidade da diretoria bugrina transferir o confronto para longe do Brinco de Ouro, casa do Guarani. Por ironia do destino, o Guarani ainda viu no sábado o treinador Zetti levar o Fortaleza a uma vitória sensacional de 2 a 0 diante do Avaí, e subir para a divisão de elite do futebol brasileiro. O ex-goleiro teve uma passagem pelo Bugre na série A desse campeonato e foi muito criticado pelo trabalho desenvolvido que durou cerca de 15 rodadas e contou com muitas derrotas. E agora, Bugre, de quem é a culpa?
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